domingo, 11 de junho de 2017

A Trindade de amor!

Jo 3, 16-18
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus”. 
Deus é Ternura 


O mistério de Deus supera infinitamente o que a mente humana pode captar. Porém, Deus criou o nosso coração com um desejo infinito de buscá-lo, de tal modo que não encontrará descanso a não ser nele. O nosso coração, com o seu desejo insaciável de amar e ser amado, abre-nos uma brecha para intuir o mistério inefável de Deus.
Nas páginas do delicioso relato de “O Principezinho”, escrito por Antoine Saint-Exupéry, faz-se esta admirável afirmação: “Somente com o coração se pode ver bem; o essencial é invisível aos olhos”. 
É uma forma bela de expor a intuição dos teólogos medievais que já diziam nos seus escritos: “ubi amor, ibi est oculus” (“onde reina o amor, ali há olhos que sabem ver”). Santo Agostinho disse, também, de um modo mais directo: “Se vês o amor, vês a Trindade”.
Quando o Cristianismo fala da Trindade quer dizer que Deus, no seu mistério mais íntimo, é amor partilhado. Deus não é uma ideia obscura e abstracta; não é uma energia oculta, uma força perigosa; não é um ser solitário e sem rosto, apagado e indiferente; não é uma substância fria e impenetrável. Deus é Ternura transbordante de amor. 
Esse Deus trinitário é fonte e cume de toda a ternura. A ternura inscrita no ser humano tem a sua origem e a sua meta na Ternura que constitui o mistério de Deus. Por isso, a ternura não é um sentimento a mais; é sinal da maturidade e vitalidade interior; brota num coração livre, capaz de oferecer e de receber amor, um coração “parecido” ao de Deus. 
A ternura é, sem dúvida, a mais clara marca de Deus na criação; o melhor que desenvolveu a história humana; o que mede o grau de humanidade e compreensão de uma pessoa. Esta ternura  opõe-se a duas atitudes muito difundidas na nossa cultura: a “dureza de coração” compreendida como barreira, como muro, como apatia e indiferença diante do outro; o “voltar-se sobre si mesmo”, o egocentrismo, a soberba, a ausência de solicitude e cuidado pelo outro.
O mundo encontra-se diante de uma grave alternativa: entre uma cultura da ternura e, portanto, do amor e da vida, ou uma cultura do egoísmo e, portanto, da indiferença, da violência e da morte. Aqueles que crêem na Trindade sabem o que deverão promover. 
Bento XVI, Angelus, 7 de Junho de 2009 
Prezados irmãos e irmãs 
Depois do tempo pascal, culminado na festa de Pentecostes, a liturgia prevê estas três solenidades do Senhor: hoje, a Santíssima Trindade; na próxima quinta-feira, Corpus Christi que, em muitos países entre os quais a Itália, será celebrada no próximo domingo; e finalmente, na sexta-feira sucessiva, a festa do Sagrado Coração de Jesus. Cada uma destas celebrações litúrgicas evidencia uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã: ou seja, respectivamente a realidade de Deus Uno e Trino, o Sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo. Na verdade são aspectos do único mistério da salvação, que num certo sentido resumem todo o itinerário da revelação de Jesus, da encarnação à morte e ressurreição até à ascensão e ao dom do Espírito Santo.
No dia de hoje contemplamos a Santíssima Trindade, do modo como Jesus no-la fez conhecer. Ele revelou-nos que Deus é amor, “não na unidade de uma única pessoa, mas na Trindade de uma só substância” (Prefácio): é Criador e Pai misericordioso; é Filho Unigénito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; é, finalmente, Espírito Santo que tudo move, cosmos e história, rumo à plena recapitulação final. Três Pessoas que são um só Deus, porque o Pai é amor, o Filho é amor e o Espírito é amor. Deus é tudo e somente amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive numa solidão maravilhosa, mas é sobretudo fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente. Em certa medida podemos intuí-lo, observando quer o macro-universo: a nossa terra, os planetas, as estrelas e as galáxias; quer o micro-universo: as células, os átomos e as partículas elementares. Em tudo o que existe está num certo sentido gravado o “nome” da Santíssima Trindade, porque todo o ser, até às últimas partículas, é um ser em relação, e assim transparece o Deus-relação, transparece por fim o Amor criador. Tudo deriva do amor, tende para o amor e se move impelido pelo amor, naturalmente com diferentes graus de consciência e de liberdade. “Ó Senhor, nosso Deus / como é admirável o vosso nome em toda a terra” (Sl 8, 2), –  exclama o salmista. Falando de “nome” a Bíblia indica o próprio Deus, a sua identidade mais verdadeira; identidade que resplandece sobre toda a criação, onde cada ser, pelo próprio facto de existir e pelo “tecido” de que é feito, faz referência a um Princípio transcendente, à Vida eterna e infinita que se doa, em síntese, ao Amor. “É nele – disse São Paulo no Areópago de Atenas – que realmente vivemos, nos movemos e existimos” (Act 17, 28). A prova mais forte de que fomos criados à imagem da Trindade é esta: somente o amor nos torna felizes, porque vivemos em relação, e vivemos para amar e ser amados. Utilizando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano traz no seu “genoma” o vestígio profundo da Trindade, de Deus-Amor.
Na sua humildade dócil, a Virgem Maria fez-se serva do Amor divino: acolheu a vontade do Pai e concebeu o Filho por obra do Espírito Santo. Nela o Todo-Poderoso construiu para si um templo digno dele, fazendo do mesmo o modelo e a imagem da Igreja, mistério e casa de comunhão para todos os homens. Maria, espelho da Santíssima Trindade, nos ajude a crescer na fé no mistério trinitário. 
Palavra para o caminho 
Deus é Trindade, é um mistério de Amor. E a Sua omnipotência é a omnipotência de quem só é amor, ternura insondável e infinita. É o amor de Deus que é omnipotente. Deus não pode tudo. Deus não pode senão o que pode o amor infinito. E sempre que o esquecemos e saímos da esfera do amor fabricamos um Deus falso, uma espécie de ídolo estranho que não existe.
Quando não descobrimos ainda que Deus é só Amor, facilmente nos relacionamos com Ele a partir de interesse próprio ou do medo. Um interesse que nos move a utilizar a Sua omnipotência para nosso proveito. Ou um medo que nos leva a procurar toda a classe de meios para nos defendermos do Seu poder ameaçador. Mas esta religião feita de interesse e de medos está mais próxima da magia que da verdadeira fé cristã.

Só quando se intui a partir da fé que Deus é só Amor e se descobre fascinado que não pode ser outra coisa senão Amor presente e palpitante no mais fundo da nossa vida, começa a crescer livre no nosso coração a confiança num Deus Trindade de que o único que sabemos por Jesus é que não pode senão amar-nos. 

Fonte: Ordem do Carmo

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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