domingo, 21 de agosto de 2016

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 1, 39-56)

39Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. 45Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»
46Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.49O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome.50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,55como tinha prometido a nossos pais,a Abraão e à sua descendência, para sempre.»
56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

Contexto
Maria correndo sobre os montes: feliz evocação do mensageiro de boas notícias de Isaías 52,7: «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia boas novas a Sião…». Feliz evocação também do amado do Cântico dos Cânticos 2,8, assim cantado pela amada: «A voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes». Assim, com este simples acorde montanhoso, o narrador e grande retratista do terceiro Evangelho traça o perfil de Maria movida por uma grande notícia e pelo amor. A aclamação de Isabel: «Bendita tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre» [= «Bendita tu e bendito Deus»], lembra o duplo «Bendito» na aclamação de Judite (13,18). A locução maravilhada de Isabel: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lucas 1,43), remete para o atónito dizer de David: «E de onde me é dado que venha ao meu encontro a Arca do Senhor?» (2 Samuel 6,9). E a «dança de João» reclama a dança de David na presença da Arca do Senhor (2 Samuel 6,5.14.16.21). E os «cerca de três meses» de permanência de Maria em casa de Isabel, regressando então a sua casa (Lucas 1,56), não são, como vulgarmente se pensa, para indicar que Maria está presente no nascimento de João Baptista, pois este apenas é narrado no versículo seguinte (Lucas 1,57). É, antes, outra vez o acerto com a Arca do Senhor, que permanece cerca de três meses na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,11). Os acordes textuais evidentes mostram Maria como a Arca da Aliança, como, de resto, é aclamada pelo Povo de Deus, quando recita a ladainha de Nossa Senhora.
Mães crentes
A cena é comovente. Lucas compô-la para criar a atmosfera de alegria, felicidade profunda e louvor que deve acompanhar o nascimento de Jesus. A vida muda quando é vivida a partir da fé. Acontecimentos como a gravidez ou o nascimento de um filho assumem um sentido novo e profundo.
Tudo acontece num vilarejo desconhecido, na montanha de Judá. Duas mulheres grávidas conversam sobre o que estão a viver no íntimo dos seus corações. Não estão presentes os homens. Nem sequer José, que poderia ter acompanhado a sua esposa. São estas duas mulheres, repletas de fé e de Espírito, aquelas que melhor captam o que se está a passar.
Maria saúda Isabel. Deseja-lhe tudo de melhor, agora que está à espera de um filho.A sua saudação enche de paz e de alegria toda a casa. Até a criança que Isabel traz no seu ventre pula de alegria. Maria é portadora de salvação: é a que traz consigo Jesus.
Há muitas maneiras de «saudar» e de nos aproximarmos das pessoas. Maria traz paz, alegria e bênção de Deus. Lucas recordará, mais tarde, que era isso precisamente o que o filho Jesus pedia aos seus seguidores: “em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!”.
Transbordante de alegria, Isabel exclama: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Deus está sempre na origem da vida. As mães, portadoras da vida, são mulheres “abençoadas” pelo Criador: o fruto dos seus ventres é bendito. Maria é a “abençoada” por excelência: com ela chega-nos Jesus, a bênção de Deus ao mundo.
Isabel termina exclamando: “Feliz é tu, que acreditaste”. Maria é feliz porque acreditou. Aqui está a sua grandeza e Isabel sabe valorizá-la. Estas duas mães convidam-nos a viver e celebrar, a partir da fé, o mistério da Natividade.
Feliz o povo onde há mães de fé, portadoras de vida, capazes de irradiar paz e alegria. Feliz a Igreja onde há mulheres abençoadas por Deus, mulheres felizes que crêem e transmitem a fé aos seus filhos e filhas. Felizes os lares nos quais boas mães ensinam a viver com profundidade a Natividade.
Assunção de Nossa Senhora
Hoje é uma grande festa para os crentes. Uma festa que não é senão o eco do anúncio pascal: Cristo ressuscitou. Também Maria foi ressuscitada por Deus. Aquela mulher que soube acolher como ninguém a salvação que se oferecia em seu próprio Filho, alcançou a vida definitiva. Aquela que soube sofrer, junto à cruz, a injustiça e a dor de perder o seu Filho, compartilha, hoje, a sua vida gloriosa de ressuscitada e convida-nos a caminhar pela vida com esperança.
Porque, antes de mais nada, a assunção de Maria é uma festa que confirma a nossa esperança cristã: há salvação para o homem. Há uma vida definitiva que se cumpriu já em Cristo e que foi presenteada a Maria em plenitude. Há ressurreição. Maria é a Mãe da nossa esperança. Ela é “a perfeitamente redimida” (Karl Rahner). Nela já se realizou, de maneira eminente e plena, o que nós esperamos, também, viver um dia.
Porém, Maria é, sobretudo, Mãe da esperança para os mais pobres e os mais crucificados deste mundo. Se Maria é grande e bem-aventurada para sempre é porque Deus é o Deus dos pobres.
Maria alegra-se que Deus seja assim. O Deus dos pobres e dos humilhados. Aquele que soube olhar a humilhação e pequenez da sua escrava.
Ao cantar hoje o Magnificat, recordemos quem é o Deus que glorificou Maria e no qual ela colocou toda a sua alegria e esperança. Não é o Deus neutro e indiferente no qual, frequentemente, nós pensamos. É o Deus dos pobres. Ele que derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes; que enche de bens aos famintos, e despede os ricos de mãos vazias. 
Estas palavras, como diz José Ignacio González Faus, teólogo jesuíta espanhol, “não são palavras de nenhum profeta agressivo nem de nenhum guerrilheiro violento, mas que brotaram da ternura, da pureza e da alegria que cabem no coração de Maria; esse coração que havia conservado a memória e a alegria de Jesus, o qual bendizia o Pai porque ocultou o seu reino aos aristocratas da terra e revelou-o aos pequenos”.

Fonte: Ordem do Carmo

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Total introspecção com essa catequese sobre Maria!
    Orações e meu abraço,
    Célia.

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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