terça-feira, 27 de outubro de 2015

Papa encerra Sínodo da Família

Na manhã do domingo 25 de outubro foi concluído oficialmente o Sínodo dos Bispos sobre a Família, com a celebração eucarística presidida pelo Papa Francisco, na Basílica de S. Pedro. Estiveram presentes os padres sinodais.
O Evangelho do dia apresentou o episódio do cego Bartimeu sendo precedido na primeira leitura pelo profeta Jeremias que em pleno desastre nacional, enquanto o povo é deportado pelos inimigos, anuncia que “o Senhor salvou o seu povo” “porque Ele é Pai (cf. 31, 9); e, como Pai, cuida dos seus filhos” – afirmou o Papa.
Na sua homilia o Santo Padre referiu que “o Evangelho de hoje liga-se diretamente à primeira Leitura: como o povo de Israel foi libertado graças à paternidade de Deus, assim Bartimeu foi libertado graças à compaixão de Jesus.”
O Papa Francisco referiu um “detalhe interessante”: Jesus pede aos seus discípulos que vão chamar Bartimeu e estes dirigem-se ao cego usando duas palavras, que só Jesus utiliza no resto do Evangelho: coragem e levanta-te – palavras de misericórdia como sublinhou o Papa.
“A isto são chamados os discípulos de Jesus, também hoje, especialmente hoje: pôr o homem em contacto com a Misericórdia compassiva que salva. Quando o grito da humanidade se torna, como o de Bartimeu, ainda mais forte, não há outra resposta senão adoptar as palavras de Jesus e, sobretudo, imitar o seu coração. As situações de miséria e de conflitos são para Deus ocasiões de misericórdia. Hoje é tempo de misericórdia!”
Mas há algumas tentações para quem segue Jesus. O Evangelho põe em evidência pelo menos duas. A primeira é viver uma “espiritualidade de miragem”, não parar, ser surdo, “estarmos com Jesus” mas “não sermos como Jesus”, estar no seu grupo mas viver longe do seu coração:
“Podemos falar d’Ele e trabalhar para Ele, mas viver longe do seu coração, que Se inclina para quem está ferido. Esta é a tentação duma “espiritualidade da miragem”: podemos caminhar através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver; somos capazes de construir visões do mundo, mas não aceitamos aquilo que o Senhor nos coloca diante dos olhos. Uma fé que não sabe radicar-se na vida das pessoas, permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos.”
Há uma segunda tentação – assegurou o Papa – é a de cair numa “fé de tabela”. “Podemos caminhar com o povo de Deus, mas temos já a nossa tabela de marcha, onde tudo está previsto: sabemos aonde ir e quanto tempo gastar; todos devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente perturba-nos. Corremos o risco de nos tornarmos como “muitos” do Evangelho que perdem a paciência e repreendem Bartimeu. Pouco antes repreenderam as crianças (cf. 10, 13), agora o mendigo cego: quem incomoda ou não está à altura há que excluí-lo. Jesus, pelo contrário, quer incluir, sobretudo quem está relegado para a margem e grita por Ele. Estes, como Bartimeu, têm fé, porque saber-se necessitado de salvação é a melhor maneira para encontrar Cristo.
No final da sua homilia e tomando o exemplo de Bartimeu, o Papa Francisco agradeceu o caminho percorrido pelos padres sinodais convidando-os a continuarem a caminhar pelo “caminho que o Senhor deseja” sem se deixarem ofuscar “pelo pessimismo e pelo pecado”.
Intervenção
Ao concluir os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família, o Papa Francisco fez uma intervenção com uma mensagem em que realçou a importância de defender o homem e não as ideias, defender o espírito e não a letra da doutrina.
Após os vários agradecimentos a todos os que contribuíram para um percurso sinodal de intenso ritmo de trabalho, o Papa Francisco disse ter-se interrogado sobre o que “há de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?”
Muitas as respostas encontradas pelo Santo Padre para completar o significado do Sínodo: a importância do matrimónio, escutar as vozes das famílias e dos pastores, olhar e ler a realidade, testemunhar o Evangelho como fonte viva de novidade eterna, afirmar a Igreja como sendo dos pobres e dos pecadores e abrir horizontes para difundir a liberdade dos Filhos de Deus.
Em particular, o Papa Francisco considerou que a experiência do Sínodo fez compreender melhor que defender a doutrina é defender o seu espírito e o homem em vez de ideias:
“A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão.”
Francisco recordou Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI e no final do seu intenso discurso afirmou que “para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!”
Relatório
O Relatório Final do Sínodo dos Bispos sobre a Família teve amplo consenso. Em 94 pontos a Assembleia Sinodal dos Bispos reuniu o seu mais recente documento sobre a Família, após dois anos de intenso debate e participação das comunidades. Todos os pontos foram aprovados com maioria qualificada. Em particular, os parágrafos dedicados às situações familiares difíceis foram aprovados no limite dos dois terços dos votos expressos.
No número 84, os padres sinodais propõem uma maior integração dos divorciados recasados nas comunidades cristãs, sublinhando que a sua participação pode ser ao nível dos diversos serviços eclesiais. A esta situação específica dos casais em segunda união o número 86 do relatório final faz referência a um percurso de acompanhamento e de discernimento espiritual com um sacerdote.
Luz na escuridão do mundo – é assim que o Relatório Final do Sínodo define a família, num texto que se apresenta com uma atitude positiva e acolhedora, onde é reafirmada a doutrina da indissolubilidade matrimonial. Contudo, para as situações de maior complexidade familiar é recomendado o discernimentos dos Pastores e uma análise em que a ‘misericórdia’ não seja negada a ninguém.
O documento sinodal não cita expressamente o acesso à Eucaristia para os divorciados recasados, mas recorda que esses não estão excomungados. Quanto às pessoas homossexuais é reafirmado no Relatório que não devem ser discriminadas, mas é declarado que a Igreja é contrária às uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Há uma importante contribuição deste documento sinodal para a valorização da mulher e para a tutela das crianças. Também os idosos e as pessoas com necessidades especiais são citados com atenção.
Também foi evidenciado o reforço da preparação para o matrimônio, apresentando a necessidade de uma formação adequada à afetividade, sendo chamada a atenção para a ligação entre ato sexual e ato de procriação, do qual os filhos são o fruto mais precioso porque transportam em si a memória e a esperança de um ato de amor. O relatório traz ainda um realce para a educação sexual e para a promoção de uma paternidade responsável. Neste particular, é feito um apelo às instituições para tutelarem a vida. Aos católicos comprometidos com a política lhes é pedido que defendam a família e a vida. A este propósito, o Sínodo reafirma a sacralidade da vida e chama a atenção para as ameaças à família, tais como, o aborto e a eutanásia.
Fonte: Site Arquidiocese de Pouso Alegre



Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...