quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Solo Movediço



Estaciono-me diante dos usos e costumes atuais que transformam a pedagogia familiar em um laboratório de ensaio onde o humano é colocado à prova ainda que se destrua.

Leio, entre tantos, absurdos tais como:

-pilotar ultraleve o tornará responsável?

- manejar uma pistola 380 é símbolo de defesa pessoal?

- direção aos 13 anos é viável, é responsável?

Enquanto cobrimos nossos adolescentes com bens materiais, ficamos em débito com o diálogo, o olho no olho, o toque, a sensibilidade. Distanciamo-nos do amor família, do amor amigo, do respeito às individualidades, da disciplina e limites (palavras em desuso).

Sem saudosismo algum, mas solidamente constituída,  apanhava, ficava de castigo sabendo a razão do mesmo... Diálogo era pouco. Apenas o olhar do pai e os ‘berros destemperados’ da mãe mostravam que era hora de sossegar.

Bullying? Claro era baixinha e ainda por cima usava botas ortopédicas... e quando ia à escola um enorme laço de fita branca de organdi ornamentava meu cabelo! Que mico!

Presentes?  Apenas no Natal, em aniversário e olhe lá, pois conforme o comportamento... NADA!

Conversas à mesa da cozinha, à noite com papai fazendo contas, e mostrando para a família a necessidade de economizar... Pedíamos bênção rezávamos o Santo Anjo... Fazíamos guerra de travesseiros, uns tapas na bunda que quentinhos dormíamos feito anjos-diabinhos...

Traumas? Nenhum.

Aprendíamos assim a lutar para vencer obstáculos normais na vida de todos nós. Sem covardia. Apenas no enfrentamento dos mesmos.

Hoje, não há esse tipo de vivência, de convivência. As informações chegam-nos via telinha do computador, redes sociais, iPhone, ou da TV. Tudo é muito insensível.

Se hoje escureceu... Amanhã é um novo dia com claridade suficiente para novos rumos em nosso caminho. Assim espero! Vou afinar as cordas do meu violino, em “dó”, para a trilha sonora da hora da saudade!

Célia Rangel

Um comentário:

  1. Não há como negar que a coisa esta fugindo do nosso controle. Os costumes estão sendo esquecidos rapidamente e não estão sendo substituídos pois, "costumes" não existem mais. Não há diálogo no seio da família, há uma grande "individualização" que poderá influir muito num mar de depressão, melancolia e stress que a sociedade pode mergulhar num horizonte bem mais próximo que possamos pensar.
    O Cristão precisa atinar para o que estamos vivendo e procurar de alguma forma buscar maneiras de nos desviarmos desse curso. Cada qual no seu núcleo familiar, aos poucos, mas atuantes e vigilantes.

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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