segunda-feira, 24 de junho de 2013

Caminhar, edificar, confessar!



Estes foram os verbos que o Papa Francisco usou na sua homilia, durante a concelebração eucarística, na conclusão do conclave, em que foi eleito. Concelebraram os cardeais que o escolheram. Mas suas palavras não eram dirigidas somente a eles. Valem para a Igreja toda como diretrizes a apontar sendas novas.

A Providência quis que o colégio cardinalício votasse num “homem do fim do mundo”, como ele mesmo se expressou, ao saudar a multidão que enchia a Praça de São Pedro. O método pedagógico de Deus tem sido esse ao longo da história da salvação. Ele costuma buscar os seus servidores nas periferias: foi assim com Moisés e Davi. O próprio Filho se encarnou na mal afamada Nazaré e nasceu na pequena Belém. Morreu na cruz fora da cidade e foi sepultado num túmulo emprestado.

Se a Igreja, ao longo da sua história, foi assumindo características de poder e domínio, deve-se a critérios sócio-políticos do tempo e à contínua fragilidade humana... O Mestre Jesus já alertara: “Entre vós não seja assim: quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos”. Não é à toa que o Papa é chamado de “servo dos servos de Deus”. Essa missão serviçal é confiada a todos os ministros ordenados.

O novo Papa quis chamar-se Francisco. No domingo, dia 17, à oração do Angelus, explicou que seria para voltar às suas raízes italianas. São Francisco é o patrono da Itália. Porém, como o Poverello, no século XIII, o povo cristão espera que o novo Pontífice restaure a Casa do Senhor. A sociedade está exigindo que a Igreja se purifique de seus erros, se despoje da auto-suficiência e se abra ao diálogo com a modernidade, para que seja respeitada a dignidade de todo ser humano e defendidos os seus direitos, bem como sejam salvaguardados a criação e o meio-ambiente.

Não será tarefa fácil. Haverá muita oposição a um modelo de Igreja despojada, acolhedora e misericordiosa, próxima dos pobres. Mas nós estamos aí para orar pelo Santo Padre. E colaborar com ele, na fidelidade às promessas presbiterais que vamos renovar na quinta feira santa. Maria, Mãe da Igreja, assista o Papa Francisco. São José, em cuja festa ele inicia seu pontificado, o proteja, como protegeu Jesus e Maria.

Ao término do itinerário quaresmal, abramo-nos ao mistério pascal do Senhor, a fim de que possamos caminhar com Cristo, edificar sua casa e confessar a fé que nos anima na missão, vencendo o comodismo!

D. Diamantino P. - Bispo de Campanha-MG

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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