terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vocação da Igreja



Para falar da vocação da Igreja precisamos, em primeiro lugar, entender o que é Igreja e qual é a sua missão.

A Igreja é mistério de comunhão trinitária. O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas de um só Deus Pai e Filho no Espírito Santo.

O Vaticano II apresenta a Igreja como "Povo de Deus", assembléia dos chamados, dos convocados. A ideia Povo de Deus recorda que a Igreja é uma realidade histórica, fruto da livre iniciativa de Deus e da livre resposta dos seres humanos. Essa expressão indica a Igreja em sua totalidade, ou seja, naquilo que é comum a todos os seus membros. Pela graça do Batismo nos tornamos filhos e filhas de Deus, membros da comunidade de fé- Igreja. O Batismo é, portanto, uma verdadeira vocação: a vocação de ser cristão, Isto é, ser cristão é ser seguidor de Jesus Cristo.

"Não há, pois, em Cristo e na Igreja, nenhuma desigualdade em vista de raça ou nação, condição social ou sexo (...) porque todos vós sois um em Cristo Jesus". (Gl 3,28). Faz parte desta condição comum - dado pela fé, esperança e caridade e pêlos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia - a participação de todo o Povo de Deus nas funções profética, sacerdotal e real de Cristo (cf. n° 71).

A noção de Povo de Deus exprime então a profunda unidade, a comum dignidade e a fundamental habilitação de todos os membros da Igreja à participação carismática e ministerial. Esta é a condição cristã que é comum a todos os membros da Igreja.

Um exemplo ajuda. Não basta ter um carro, último modelo, com as funções mais sofisticadas, se suas peças não estão colocadas no lugar certo, instaladas e ajustadas devidamente. Com certeza não funcionará. Pode ser um simples fusível, uma válvula, um distribuidor elétrico, um ejetor de combustível... cada peça é importante, imprescindível na sua função. Nenhum deles pode substituir o outro. O carro é as peças no seu lugar. Cada peça em seu lugar é o carro.

A Vocação da Igreja acontece na medida que cada membro dela assume sua vocação na Igreja. Cada vocação na Igreja transfigura o rosto vocacional da Igreja.


1. Ser COMUNIDADE (de comunhão e participação, co-responsável)

O Concilio fala de uma Igreja-comunidade convocada pela Trindade, "povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (LG 4)

Somente esta visão de Igreja contribui para que todos os seus membros vivam em estado de vocação e de missão, sentindo-se escolhidos pelo Pai, chamados pelo Filho e
enviados pelo Espírito pata o serviço ao Reino.
Só uma Igreja imagem da Trindade,

"unidade dos fiéis que constituem um só corpo em Cristo" (LG 3)
na igual dignidade e na variedade de funções (LG 32)
que abre espaço para a comunhão e participação,
pode tornar-se o espaço adequado para o surgimento e desenvolvimento
das vocações e seu engajamento na missão evangelizadora.

Os primeiros cristãos entenderam muito bem o que Jesus queria da sua Igreja. No livro dos Atos dos Apóstolos, vamos encontrar o primeiro retrato da Igreja:

"Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir o pão e nas orações. Em todos eles havia temor, por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas, vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um., e cada dia o Senhor acrescentava à comunidade outras pessoas que iam aceitando a salvação" (At 2, 42-47).

Uma Igreja que queira animar sua Pastoral Vocacional deve colocar como meta constante a intensificação da vida comunitária, da participação e da co-responsabilidade:

- na base (grupos de reflexão e ação),
- nas estruturas (conselhos, equipes de coordenação),
- na coordenação (planos pastorais, prioridades)


2. Ser comunidade SERVIDORA (evangelizadora e missionária)

O fim primeiro e fundamental da Igreja é servir, como Cristo. Por isso a Igreja comunidade também é chamada de povo de servidores.

A principal missão ou tarefa desse serviço é evangelizar. A Igreja existe para evangelizar, essa é a sua missão, o seu serviço.

Foi o pedido de Jesus antes de subir para o céu: "Ideportado o mundo e fazei todos os homens meus discípulos"^. 28,19). São Paulo tinha consciência disto e dizia: "Ai de m/m se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor9,16).

Com a urgência de uma nova evangelização, há a necessidade de despertar novos carismas e ministérios para atingirmos o objetivo geral de ação evangelizadora da Igreja no Brasil (2003-2006).

"EVANGELIZARproclamando a Boa-no vá de Jesus Cristo, caminho para a santidade, por meio do serviço, diálogo, anúncio e o testemunho de comunhão, à luz da evangélica opção pêlos pobres, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e participando da construção de uma sociedade justa e solidária, a caminho do Reino definitivo".

Evangelizar o mundo é transformá-lo pelo amor, construir o reino de Deus, um reino de justiça, de verdade, de paz, de amor: A força vocacional de uma Igreja particular está na vivência entusiasmada de sua vocação evangelizadora.
Só uma Igreja voltada para a missão de evangelizar, vivida em todos os programas, equipes e trabalhos pastorais, suscita a generosidade das vocações.

Existe uma variedade enorme de carismas e ministérios a serviço da Igreja, presentes em três tipos de vocações que chamamos de vocações específicas: vocações leigas, vocação sacerdotal e vocação consagrada (religiosa) que teremos a oportunidade de aprofundar nos próximos temas.

3. Ser comunidade orante e "encarnada"

O diálogo da fé não acontece sem um clima de oração. Falamos da evangelização como primeira condição de uma pastoral vocacional e, essa imensa tarefa, assumida pelas comunidades, grupos e organizações de Igreja, não será verdadeira sem a vida em oração.

Uma Igreja oranteéuma Igreja em constante diálogo com Deus, condição para captar a presença do Espírito de Deus na Igreja e no mundo. Aliás o próprio Jesus nos mandou que rezássemos pedindo operários para a messe.

"Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então Jesus disse aos seus discípulos: A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos/ Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita." (Mt 9, 36-38)

Por isso uma Igreja orante é ao mesmo tempo uma Igreja encarnada, qque, sem reclamar privilégios, vive no mundo e na sociedade a sua missão profética, denunciando as injustiças e anunciando a utopia evangélica.

A Igreja, onde as vocações podem brotar, é aquela que escuta o clamor do povo, que vive em processo permanente de renovação e que reza pelas vocações.

VOCAÇÃO NA IGREJA
4. Igreja, mãe das vocações

A palavra Igreja (do grego "ekklesia") significa convocação. A Igreja, portanto, é a assembleia dos convocados,
dos chamados para missão.

"Rogo-vos pois, eu, que andeis de um modo digno da vocação a que fostes chamados"(Ef 4,1).

Uma história
Alexandre Magno um dia estava passando em revista as suas tropas.
Perto dele estavam os seus oficiais subalternos. Um deles exclamou: "General, veja, aquele soldado, tem o nome de Alexandre, como o senhor!" O general perguntou ao oficial: "Mas ele é corajoso como eu? Luta na guerra com a mesma valentia?" O oficial, respondeu que não. Aí o grande general, olhando para o soldado, exclamou: "Soldado, ou muda de nome ou muda de vida!"

Esta história nos faz pensar no significado do nosso Batismo e nos compromissos que temos como cristãos. É isso que São Paulo quer dizer quando pede que vivamos de acordo com a vocação a que fomos chamados:

ser cristão é ser como Jesus, é viver como ele viveu, é ter as mesmas atitudes que ele teve.

São Paulo, na Carta aos Filipenses, nos ensina melhor o que é ser cristão:

"Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo."

Textos para meditar:
- Lucas 8, 19-21
- João 10 (rebanho, redil, o Bom Pastor)
- João 15 ( a videira e os ramos)
- 1 Cor 12, 12-26 (Corpo Místico de Cristo)
- Ef 4, 1-16

3 comentários:

  1. Oi Anderson! Tudo bom?! Obrigado pela visita! Também gostei muito do seu blog! E vi que está com o selo dos Catequistas Unidos lá! Que bom! Já pediu a nossa fundadora, a Claudia para colocar seu nome na lista?! É só entrar neste link aqui ( http://www.catequesenanet.com.br/2011/06/vamos-divulgar-seu-blog.html ) e mandar o e-mail como ela pede! E te faço um pedido, no selo, coloque o link que leva direto à nossa listagem, onde logo, com a graça de Deus teremos você junto com a gente! O link da nossa lista é esse (http://www.catequesenanet.com.br/p/catequistas-unidos.html ). Sou o número 83 da lista!

    Fique com Deus e feliz por conhecer você meu caro!

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  2. kkk Desculpa pelo fora meu amigo! kkk É que somos muitos! E olhe que fui eu quem formatou a lista do jeito que está hoje e não tinha me lembrado de você! kkk

    Fique com Deus e conte com minhas orações em seu ministério!

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  3. Que isso Rodrigo, rsrsrs
    Grande abraço!

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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