sábado, 5 de maio de 2012

Sofrimento: Um companheiro inseparável


O sofrimento acompanha-nos, passo a passo, no caminho da vida. É um companheiro assíduo e inseparável: sofrimento físico, sofrimento moral, doença, decepção, frustração, perda...

O sofrimento pode ser um grande amigo ou um terrível inimigo, pois tem o poder de edificar ou destruir, de enriquecer ou despojar. Tudo depende de como o encaramos, do “sentido” que somos capazes de lhe dar. A sombra da cruz – do sofrimento e do sacrifício – faz-nos estremecer. Custa-nos entendê-la e, ainda mais, custa-nos aceitá-la. Por que o sofrimento? Por que o sacrifício?

Todos nós já fizemos provavelmente essas perguntas, uma ou muitas vezes na vida. E todos sabemos que, quer perguntemos quer não, quer aceitemos a cruz ou nos revoltemos contra ela, continuará a fazer parte deste mundo e da vida de cada um de nós. Em nada nos ajuda fazer meras especulações sobre o sofrimento, baseadas em hipóteses irreais: “Se não existisse o sofrimento...”, “Deus não deveria permitir o sofrimento...”, “Se Deus é Pai, por que nos deixa sofrer?”..
A realidade é que o sofrimento existe e que Deus o permite. Por isso, só poderemos encontrar um “sentido”, uma ajuda, se fizermos as perguntas sobre a dor dentro do quadro da vida real: “O sofrimento existe, sempre existiu e continuará a existir. Eu tenho-o na minha vida. Que sentido tem? Que faço com ele? Que devo fazer com ele?”

Podemos fazer muitas coisas. Há pessoas que, diante das cruzes da vida, se asfixiam na revolta e no desespero. Queixam-se, amarguram-se, arrasam-se. Às vezes, até se autodestroem. Por outro lado, há outras pessoas que, com os mesmos ou maiores sofrimentos, amadurecem, ganham sabedoria e virtude, aprendem a ver e a amar as coisas e as pessoas de uma maneira nova. E, no meio da dor, têm uma vida cheia de paz, de grandeza e de fecundidade.
Há, pois, um mau modo e um bom modo de encarar o sofrimento. Este último é o que, em linguagem cristã, chamamos a sabedoria da cruz (cf.  I Cor 1, 25).

Padre Francisco Faus

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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