segunda-feira, 12 de março de 2012

Acenda a luz!

A Igreja reza confiante na Quaresma: “Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória”. Mas é bem realista perceber que há muitos fatos e problemas que dificultam nosso “olhar de fé”. Multiplicam-se notícias de atos violentos e um sem número de crimes que nos deixam estarrecidos. Num hipotético campeonato de violência e criminalidade, nossa Belém já está à frente de muitas outras regiões do país. A vida é banalizada, mata-se quase por brincadeira, o trânsito se torna caótico e violento.
Nosso sistema se saúde, dos melhores do mundo em sua concepção, não consegue se universalizar. Ainda que nosso país experimente uma fase positiva de crescimento econômico, persistem as desigualdades sociais e muitos dos projetos pessoais desmoronam como castelos de areia. Já estamos pagando muito caro pelas opções feitas pela sociedade nas últimas gerações. Como olhar com fé todas estas realidades e enfrentar os desafios que nos cercam?

Deus não arquitetou qualquer castigo para a humanidade, justamente porque Ele é só Amor. Nós mesmos combinamos nossas terríveis armações e nos enredamos de tal forma que se erguem verdadeiros becos sem saída, dificultando a percepção dos rumos a serem percorridos. É como uma criança que ganhou um enorme brinquedo, cheio de aparatos eletrônicos, sem dúvida, maravilhosos, mas não sabe o que fazer com ele. Falta-lhe um manual de instruções! Parece-nos que estamos num túnel escuro, que muitos chegam a chamar de noite da cultura contemporânea.

Mesmo em quadros culturais diferentes, a natureza humana é sempre a mesma. Os primeiros discípulos de Jesus também se assustavam com as surpresas do caminho percorrido com Ele. Carregavam consigo as esperanças de séculos, no desejo sincero da chegada do Messias esperado. No entanto, justamente Aquele em quem aprenderam a depositar confiança parece-lhes misterioso demais para sua frágil capacidade de compreensão. Dura foi a progressiva percepção de que ir atrás d'Ele exigiria deles passar pela escuridão da cruz e da morte. Era-lhes escandalosa a perspectiva de que o sofrimento faz parte e é estrada para a realização plena de qualquer pessoa. O impasse em que se encontravam gritava pela luz!

Dom Alberto Taveira

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"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre sua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma de sua mão"

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